Guia Completo para o Japão: Tudo que Você Precisa Saber na Primeira Viagem

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Written by italo

maio 3, 2026

O Japão é o destino que mais cresce entre brasileiros na Ásia — e tem um motivo concreto para isso: desde setembro de 2023, brasileiros não precisam mais de visto para turismo. Uma barreira histórica caiu, e o fluxo de viajantes do Brasil para o país disparou mais de 57% em 2025.

Mas o Japão continua sendo uma viagem que exige planejamento acima da média. É um país com cultura radicalmente diferente da ocidental, sistema de transporte complexo, idioma com três alfabetos e uma etiqueta social que pode deixar o viajante despreparado desconfortável desde o primeiro dia.

Este guia cobre tudo que você precisa saber antes de embarcar: documentos, melhor época, quanto custa, como se locomover, onde ficar, o que não pode perder — e os erros que brasileiros cometem com mais frequência na primeira visita.


O Que Torna o Japão Diferente de Qualquer Outro Destino

O Japão é o único destino do mundo onde você pode passar de um templo budista de 1.200 anos para uma metrópole com 14 milhões de pessoas em questão de minutos — e sentir que os dois pertencem ao mesmo lugar.

Para o brasileiro, a experiência é de contraste total. O país é hipertecnológico, mas ainda fortemente baseado em dinheiro vivo. É um dos mais seguros do planeta, mas tem regras sociais não escritas que, se ignoradas, causam constrangimento real. A comida é uma das melhores do mundo, mas ler um cardápio sem tradução pode ser um desafio.

O Japão registrou mais de 10,5 milhões de visitantes apenas no primeiro trimestre de 2025 — um recorde histórico, impulsionado principalmente pela isenção de visto para brasileiros e pelo câmbio favorável do iene em relação ao real. Noticiasvaledoitajai

O resultado é que o Japão ficou mais acessível — mas não necessariamente mais fácil de visitar sem preparação.


Documentos Obrigatórios para Entrar no Japão

Passaporte eletrônico com chip — atenção ao detalhe

Para entrar no Japão sem visto, o viajante brasileiro precisa de um passaporte eletrônico com chip biométrico, emitido pela Polícia Federal a partir de 2011. Este é o detalhe que pega muitos viajantes de surpresa: passaportes mais antigos, sem chip, não estão incluídos na isenção de visto. Um Viajante

Se você tem um passaporte emitido antes de 2011 ou sem chip, precisará solicitar um novo antes de planejar a viagem. O prazo médio de emissão atual é de 6 dias úteis em condições normais, mas pode estender nas épocas de alta demanda.

Além do chip, o passaporte precisa ter validade mínima de 6 meses a partir da data de entrada no Japão.

Ainda não tem passaporte ou precisa renovar? Veja nosso guia completo sobre como tirar passaporte brasileiro.

Isenção de visto — o que está incluído e o que não está

Desde setembro de 2023, brasileiros não precisam de visto para turismo e podem permanecer no país por 90 dias a partir da data de entrada. A medida vale até 29 de setembro de 2026. Recomenda-se verificar a situação atualizada na Embaixada do Japão antes de viajar, pois prazos de acordos bilaterais podem ser renovados ou alterados. Kalu Travel

A isenção cobre: turismo, visita a familiares, participação em eventos e negócios não remunerados. Não cobre trabalho remunerado, estudo formal ou permanência acima de 90 dias.

Vacinas

Diferente da Tailândia, não há vacinas obrigatórias para entrar no Japão, a menos que você venha de uma área com surto de doenças específicas, como febre amarela, o que não é o caso do Brasil. Não é necessário apresentar certificado de vacinação na imigração. Um Viajante

Comprovantes recomendados na chegada

Embora nem sempre sejam solicitados, tenha disponíveis no celular ou impresso: passagem de volta, reserva de hospedagem para pelo menos os primeiros dias e comprovante de meios financeiros. A imigração japonesa é eficiente e raramente questiona, mas é melhor estar preparado.

Seguro viagem

Não é obrigatório para entrar no Japão, mas fortemente recomendado. Atendimento médico no país é de alto nível — e de alto custo. A cobertura mínima recomendada é de US$ 30.000. Veja nosso guia sobre como contratar seguro viagem para escolher a apólice certa para o Japão.


Melhor Época para Visitar o Japão

O Japão pode ser visitado o ano inteiro, e cada estação entrega uma experiência completamente diferente. A escolha da época impacta tanto o que você vai ver quanto o quanto você vai gastar.

Primavera — março a maio (alta temporada)

A primavera é a época mais desejada por uma razão específica: a florada das cerejeiras (sakura). Entre o final de março e o início de abril, o país se cobre de flores cor-de-rosa num fenômeno que dura apenas 1 a 2 semanas por cidade. Parques, templos e castelos ficam cercados de sakura — uma das paisagens mais fotografadas do mundo.

O problema é que todo mundo quer estar lá nesse período. Hotéis e passagens disparam de preço e precisam ser reservados com 3 a 6 meses de antecedência. Os parques ficam lotados, especialmente nos fins de semana.

Se você quer a sakura sem o pior da multidão, vá durante a semana ou escolha cidades menores como Kanazawa, Hiroshima ou Nara, onde o fluxo de turistas é menor que em Tóquio e Quioto.

Outono — setembro a novembro

O outono é considerado por muitos viajantes experientes a melhor época para visitar o Japão — especialmente para quem não consegue viajar na primavera. As folhas mudam de cor entre vermelho, laranja e dourado num fenômeno chamado momiji, que rivaliza com a sakura em beleza.

O clima é agradável (15–22°C), a chuva é moderada e o fluxo de turistas, embora alto, é menor que na primavera. Os templos de Quioto, em particular, ficam extraordinários em novembro.

Verão — junho a agosto

O verão japonês é quente, úmido e tem tufões ocasionais em agosto e setembro. Não é a melhor época climaticamente — mas é a época dos matsuri, os grandes festivais tradicionais japoneses. Os fogos de artifício (hanabi) que acontecem em toda a costa durante julho e agosto são um espetáculo à parte.

É também a época do Obon (meados de agosto), festival de ancestrais que movimenta o país internamente — trens e hospedagens ficam lotados nesse período.

Inverno — dezembro a fevereiro

O inverno é a baixa temporada turística, o que significa preços menores e menos filas. As cidades históricas ficam desertas em comparação com a primavera. Quem vai especificamente para esquiar (Hokkaido tem algumas das melhores pistas da Ásia) ou para ver o Monte Fuji com neve faz o melhor negócio no inverno.

As temperaturas em Tóquio ficam entre 2°C e 12°C. Em Hokkaido, chegam a -10°C.


Quanto Custa Viajar para o Japão

O Japão tem reputação de destino caro — e parcialmente merece. Mas com planejamento é possível fazer uma viagem excelente sem extravagâncias.

Passagem aérea

Não há voos diretos do Brasil para o Japão. As principais rotas saem de São Paulo (GRU) com conexão única, geralmente no Oriente Médio (Emirates via Dubai, Qatar Airways via Doha) ou no Sudeste Asiático.

O tempo total de viagem fica entre 26 e 32 horas dependendo da conexão. Os preços variam bastante:

  • Baixa temporada (junho–agosto, dezembro–fevereiro): R$ 5.000 a R$ 8.000 ida e volta
  • Alta temporada (março–maio, setembro–novembro): R$ 7.500 a R$ 12.000 ida e volta

Tóquio registrou aumento de 57% nas buscas por brasileiros em 2025, com preço médio em torno de R$ 8.462 para passagens de ida e volta em classe econômica. Pontos pra Voar

Para economizar, veja nosso guia sobre como comprar passagem aérea barata — comprar com 4 a 6 meses de antecedência é especialmente importante para o Japão na alta temporada.

Hospedagem

O Japão tem uma variedade enorme de estilos de acomodação, incluindo o ryokan — hospedaria tradicional com tatami, yukata (quimono para dormir) e refeição kaiseki incluída — que é uma experiência à parte:

  • Capsule hotels: R$ 100 a R$ 200 por pessoa/noite — opção econômica e autenticamente japonesa
  • Hostels: R$ 120 a R$ 220 por pessoa/noite
  • Business hotels (Toyoko Inn, APA): R$ 280 a R$ 500 por quarto/noite — boa relação custo-benefício
  • Hotéis intermediários (3–4 estrelas): R$ 450 a R$ 900 por quarto/noite
  • Ryokan: R$ 600 a R$ 2.000+ por pessoa/noite com jantar e café da manhã incluídos

Alimentação

Este é onde o Japão surpreende positivamente. Refeições rápidas custam em torno de R$ 40; restaurantes intermediários variam entre R$ 80 e R$ 150 por pessoa. Mundo Trip

Os gyudon (tigelas de arroz com carne), ramen e sushi nos kaiten-zushi (rodízios de sushi com pratos girando na esteira) são opções deliciosas que custam entre R$ 25 e R$ 60 por refeição. Lanchonetes de conveniência (7-Eleven, Lawson, FamilyMart) são outra revelação — os onigiri, sanduíches e bentô são frescos, baratos e muito bons.

Transporte

O transporte é o item que mais pesa no orçamento de uma viagem ao Japão. O JR Pass de 7 dias custa em média R$ 1.600. Para viagens que incluem Shinkansen (trem bala) entre cidades, o JR Pass pode ser vantajoso. Para quem fica só em Tóquio ou em uma única cidade, não vale a pena. Veja nossa análise completa no artigo sobre o Japan Rail Pass — vale a pena? Mundo Trip

Orçamento diário estimado (por pessoa, excluindo passagem)

PerfilDiária estimada
Econômico (capsule hotel + lanchonetes)R$ 300 a R$ 450
Intermediário (business hotel + restaurantes)R$ 500 a R$ 750
Conforto (hotel 4★ + restaurantes variados)R$ 800 a R$ 1.200
Ryokan + experiências premiumR$ 1.500+

Moeda e dinheiro em espécie — o ponto mais ignorado

O Japão é tecnológico, mas ainda bastante baseado em dinheiro vivo. Nem todos os lugares aceitam cartão de crédito, como alguns restaurantes menores, alguns templos e lojinhas de bairro. Kalu Travel

Este é o maior erro de brasileiros que chegam imaginando que cartão resolve tudo. Leve yenes em espécie suficientes para cobrir pelo menos alimentação e transporte local no dia a dia. A forma mais prática de obter ienes no Japão é sacando nos caixas eletrônicos das lojas de conveniência (7-Eleven e Lawson aceitam cartões internacionais e têm caixas 24h em todo o país).

Não tente trocar reais no Japão — a moeda brasileira não é aceita nas casas de câmbio japonesas. Leve dólares americanos ou euros para eventual câmbio, ou use um cartão internacional para saques.


Como Chegar ao Japão

Aeroportos

O Japão tem dois principais aeroportos internacionais próximos a Tóquio:

  • Narita (NRT): o mais usado para voos internacionais do Brasil. Fica a cerca de 60km do centro de Tóquio
  • Haneda (HND): mais próximo do centro (30km), mas com menos voos internacionais diretos saindo do Brasil

Da maioria das cidades brasileiras, você vai passar por São Paulo (GRU) mesmo que more em outro estado. O voo de GRU até Narita dura entre 20 e 24 horas dependendo da conexão.

De Narita ao centro de Tóquio

Você tem quatro opções:

  • Narita Express (N’EX): trem direto para as principais estações de Tóquio em ~60 minutos. Custa em torno de 3.000–4.000 ienes (R$ 100–130). O JR Pass cobre o N’EX
  • Skyliner (Keisei Line): trem privado mais rápido que o N’EX para Ueno em ~36 minutos. Custa ~2.500 ienes (R$ 83)
  • Ônibus Airport Limousine: mais lento (1h30–2h com tráfego), mas chega a mais hotéis diretamente. Custa ~3.000 ienes
  • Táxi: extremamente caro (~20.000 ienes ou R$ 670). Evite

Principais Destinos do Japão

Tóquio — a metrópole que nunca para

Tóquio é uma das maiores cidades do mundo em área metropolitana — e uma das mais seguras. Cada bairro tem personalidade própria, o que a torna incansável para explorar.

Os bairros essenciais para uma primeira visita:

  • Shinjuku: o coração agitado da cidade. Tem a estação de metrô mais movimentada do mundo, parques, arranha-céus e a famosa Golden Gai (viela com bares minúsculos)
  • Shibuya: lar do cruzamento mais fotografado do mundo. Compras, vida noturna e o Scramble Crossing que funciona 24h
  • Asakusa: o bairro mais tradicional de Tóquio, com o Templo Senso-ji — o mais antigo da cidade — e lojas de artesanato e souvenirs autênticos
  • Harajuku: moda jovem, a famosa Takeshita Street e o contraste do Santuário Meiji a 200 metros de distância
  • Akihabara: o bairro eletrônico, dos mangás e dos animes. Um mundo à parte mesmo para quem não é fã de cultura pop japonesa

Para um roteiro detalhado de como aproveitar a capital em um único dia, leia nosso roteiro completo de 1 dia em Tóquio.

Quioto — a alma histórica do Japão

Se Tóquio é o Japão moderno, Quioto é o Japão que você imaginou antes de ir. A antiga capital imperial concentra mais de 1.600 templos e santuários, dezenas de jardins zen e os últimos distritos onde ainda é possível encontrar gueixas de verdade.

Os pontos que nenhuma primeira visita deve pular:

  • Fushimi Inari: o santuário com milhares de torii (portões alaranjados) subindo a montanha. Vai cedo — as fotos sem multidão só existem antes das 7h
  • Kinkaku-ji (Pavilhão Dourado): o templo banhado a ouro refletido no lago. Um dos ícones mais fotografados do Japão
  • Arashiyama: o bosque de bambu e o Templo Tenryu-ji nos arredores da cidade. Combine com um passeio de barco pelo Rio Oi
  • Gion: o distrito das gueixas, melhor explorado ao anoitecer quando as maiko (geishas aprendizes) saem para os compromissos

Para um guia detalhado, veja nosso roteiro de 1 dia em Quioto.


Osaka — comida, agito e Nara

Osaka é a capital gastronômica do Japão — os próprios japoneses têm um ditado, kuidaore, que significa “comer até quebrar”. A cidade tem o ritmo mais descontraído do país e os moradores são conhecidos por serem mais extrovertidos que os tokyotas.

Não perca o Dotonbori, o distrito de entretenimento com placas luminosas gigantes e restaurantes de takoyaki (bolinhos de polvo), ramen e kushikatsu (espetinhos empanados fritos).

A apenas 45 minutos de Osaka fica Nara, a cidade com mais de 1.000 cervos sagrados que caminham livres pelos parques e templos. O Templo Todai-ji abriga o maior Buda de bronze do mundo. A combinação Osaka + Nara em um dia é uma das rotas mais satisfatórias do roteiro clássico japonês.

Hiroshima e Miyajima

Hiroshima tem uma história que nenhum viajante deve evitar. O Parque Memorial da Paz e o Museu da Bomba Atômica são visitações obrigatórias — não por turismo macabro, mas porque a experiência transforma a perspectiva de qualquer pessoa sobre guerra e humanidade.

A 30 minutos de barco de Hiroshima fica a Ilha de Miyajima, onde o santuário Itsukushima tem um torii flutuante no mar que é um dos ícones mais reconhecíveis do Japão. Cervos caminham livremente pela ilha.


Como se Locomover no Japão

O sistema de transporte japonês é o melhor do mundo — e também um dos mais complexos para quem chega pela primeira vez. Entender a lógica antes de embarcar evita confusão e dinheiro desperdiçado.

Shinkansen (trem bala)

O shinkansen é a forma mais eficiente de viajar entre cidades. Tóquio–Osaka leva 2h20, Tóquio–Hiroshima leva 4h. Os trens saem a cada 10–15 minutos nos horários de pico, são pontuais ao segundo e têm conforto superior.

O custo do shinkansen é alto comprado avulso. É aqui que entra a análise do Japan Rail Pass — o passe ilimitado de trem que pode (ou não) valer a pena dependendo do seu roteiro. Veja nosso artigo completo sobre o Japan Rail Pass vale a pena?

Metrô nas cidades

Tóquio tem o sistema de metrô mais complexo do mundo — 13 linhas, centenas de estações e dois operadores diferentes (Tokyo Metro e Toei). Para quem não está acostumado, o mapa parece impossível. Na prática, os aplicativos Google Maps e Hyperdia fazem todo o trabalho: você digita origem e destino e ele te diz qual linha pegar, onde trocar e quanto vai custar.

O pagamento é feito pelo IC Card — um cartão recarregável que funciona em metrô, ônibus, lojas de conveniência e até em alguns restaurantes. O Suica (Tóquio) e o ICOCA (Osaka/Quioto) são os mais comuns. Você pode recarregar em qualquer máquina das estações.

Para um guia completo de transporte, veja nosso artigo sobre como se locomover no Japão.


Onde Ficar no Japão

Tóquio — escolha o bairro certo

  • Shinjuku: central, com ótima conexão por metrô para qualquer ponto da cidade. Boa para quem quer conforto com localização
  • Asakusa: o bairro mais tradicional, com hostels e ryokans acessíveis. Melhor para quem quer mergulhar na atmosfera histórica
  • Shibuya/Harajuku: ideal para quem quer ficar no coração da vida jovem e urbana da cidade
  • Akihabara: conveniente para quem chega de Narita (linha direta) e quer começar a explorar no primeiro dia

Quioto — fique no centro histórico

Em Quioto, fique no centro (próximo à Estação de Quioto ou em Gion). As atrações são espalhadas, mas a maioria é acessível por ônibus ou bicicleta alugada. Ryokans em Quioto são particularmente recomendados — a experiência de dormir em tatami, tomar banho numa banheira de madeira e acordar com café da manhã tradicional japonês é algo que nenhum hotel moderno substitui.


Costumes e Etiqueta Social Japonesa

O Japão tem uma etiqueta social não escrita que, se ignorada, não vai te colocar em apuros legais, mas vai criar situações desconfortáveis. Entender o básico antes de ir faz a diferença.

No transporte público: não fale ao telefone nos trens (são os “quiet cars” japoneses). Deixe os assentos priority para idosos e pessoas com necessidades especiais. Não coma dentro do metrô.

Nos templos: tire os sapatos ao entrar nos espaços internos. Fale baixo. Siga a fila das purificações (chozuya) na entrada dos santuários.

Na fila: japoneses respeitam filas religiosamente — nunca fure, mesmo que pareça que ninguém vai perceber.

Gorjeta: não existe. Deixar gorjeta no Japão pode ser interpretado como rude — o serviço excelente é parte da cultura, não algo que precisa de compensação extra.

Hashi (pauzinhos): nunca fique o hashi espetado verticalmente no arroz (associado a rituais funerários) e nunca passe comida de um hashi para outro (também ritual fúnebre).

Lixo: o Japão tem pouquíssimas lixeiras nas ruas. Os japoneses carregam o próprio lixo e jogam em casa ou nas lixeiras das lojas de conveniência. Faça o mesmo.


Roteiro Sugerido para Primeira Viagem ao Japão (10 dias)

Este roteiro cobre os quatro destinos essenciais sem correria excessiva.

Dias 1 e 2 — Tóquio: Senso-ji em Asakusa, Shibuya Crossing, Shinjuku à noite. Acorde cedo no dia 2 para o Mercado de Atum de Toyosu (reserve online) e passe a tarde em Harajuku e no Parque Yoyogi.

Dias 3 e 4 — Nikko ou Monte Fuji: Day trip de Tóquio para um dos dois. Nikko tem mausoléus xintô e floresta espetacular. Fuji é mais impactante em dia de céu limpo — verifique a previsão do tempo.

Dias 5 e 6 — Quioto: Chegue de shinkansen (2h20). Fushimi Inari (madrugada ou amanhecer), Arashiyama, Gion ao anoitecer, Kinkaku-ji pela manhã.

Dia 7 — Nara + Osaka: Saía cedo para Nara (cervos e Todai-ji), almoço, e chegue em Osaka à tarde. Noite no Dotonbori.

Dias 8 e 9 — Osaka e Hiroshima: Castelo de Osaka pela manhã. Shinkansen para Hiroshima após o almoço (45 min). Visita ao Parque Memorial da Paz e ao museu. Barco para Miyajima no dia seguinte.

Dia 10 — Regresso a Tóquio: Shinkansen de Hiroshima a Tóquio (4h). Última noite na capital para compras e jantar de despedida.


Erros Comuns de Brasileiros no Japão

1. Não validar o JR Pass na chegada. O pass precisa ser ativado em um JR Ticket Office nas estações. Muitos viajantes chegam cansados do voo e esquecem de fazer isso antes de embarcar no primeiro trem.

2. Não sacar ienes suficientes. Confiar apenas no cartão de crédito no Japão é um erro real. Leve ienes para cobrir pelo menos 3 dias de despesas ao chegar.

3. Tentar ver Tóquio, Quioto, Osaka, Hiroshima E Hokkaido em 7 dias. O Japão é grande e as distâncias enganam no mapa. Menos cidades, mais tempo em cada uma — a experiência melhora muito.

4. Reservar acomodação em Quioto durante a sakura sem antecedência. Os hotéis de Quioto na época das cerejeiras esgotam com 4 a 6 meses de antecedência. Se você vai nesse período, reserve imediatamente.

5. Não baixar os mapas offline. O Google Maps com o Japão baixado offline é essencial — nem sempre haverá sinal, especialmente nas áreas rurais entre atrações.

6. Ignorar as lojas de conveniência. Parece trivial, mas o 7-Eleven e o Lawson japoneses são experiências gastronômicas reais. Os onigiri, sorvetes e bentô são parte da viagem — não apenas uma solução de emergência.


Perguntas Frequentes sobre Viajar ao Japão

Brasileiros precisam de visto para entrar no Japão?

Não, desde setembro de 2023. Brasileiros com passaporte eletrônico (com chip biométrico, emitido a partir de 2011) estão isentos de visto para estadias de até 90 dias para turismo. O acordo tem validade até setembro de 2026 — verifique a situação atualizada na Embaixada do Japão antes de viajar.

Qual a melhor época para visitar o Japão?

Depende do que você quer ver. A primavera (março–maio) é a mais disputada por causa das cerejeiras, com preços altos e reservas esgotadas com meses de antecedência. O outono (setembro–novembro) oferece paisagens igualmente bonitas com menos concorrência e preços mais acessíveis. O inverno é a baixa temporada — ideal para quem quer preços menores e menos filas.

O Japão é caro para brasileiros?

Mais caro que outros destinos asiáticos como Tailândia e Vietnã, mas viável com planejamento. O principal custo é a passagem aérea (R$ 5.000 a R$ 12.000 dependendo da época). No destino, alimentação e transporte local são razoáveis — especialmente se você aproveitar as lanchonetes e lojas de conveniência. O orçamento diário de um viajante intermediário fica em torno de R$ 500 a R$ 750 por pessoa.

Preciso falar japonês para me virar no Japão?

Não é necessário. Nas grandes cidades e atrações turísticas, há sinalização em inglês em metrôs e aeroportos. O Google Translate com a câmera do celular resolve a maioria dos cardápios e placas. O aplicativo Google Maps em japonês funciona perfeitamente com destinos digitados em português. Nas áreas mais rurais e em restaurantes locais pequenos, o inglês some — mas gestos, apontar para o menu e um sorriso resolvem a maioria das situações.

Quanto tempo é ideal para visitar o Japão pela primeira vez?

O mínimo para uma experiência satisfatória é 10 dias. Com menos tempo, você vai correndo de um destino para outro sem absorver nada. O roteiro ideal para primeira viagem cobre Tóquio (3 dias), Quioto (2 dias), Osaka/Nara (1–2 dias) e Hiroshima/Miyajima (1–2 dias). Se tiver 14 dias, adicione Hokkaido ou uma cidade mais alternativa como Kanazawa.

O Japan Rail Pass vale a pena para uma primeira viagem?

Depende do seu roteiro. Para quem vai de Tóquio a Quioto, Hiroshima e volta, o JR Pass de 7 dias geralmente se paga. Para quem fica apenas em Tóquio ou faz poucas viagens entre cidades, não vale. Veja nosso artigo completo sobre o Japan Rail Pass — vale a pena? com a calculadora de economia por tipo de roteiro.

É seguro viajar sozinho ao Japão?

O Japão é consistentemente classificado como um dos países mais seguros do mundo para turistas. A taxa de criminalidade é baixíssima e os japoneses são conhecidos por sua honestidade — não é incomum ver carteiras e celulares esquecidos em mesas de cafés sem que ninguém toque. Para viajantes solo, inclusive mulheres, o Japão é uma das melhores opções do mundo.


Conclusão

O Japão recompensa quem se prepara — e surpreende mesmo quem se preparou. É um destino que exige mais planejamento do que a maioria, mas entrega uma experiência que dificilmente qualquer outro lugar no mundo consegue replicar.

O passo mais prático para começar: confirme que seu passaporte tem chip biométrico (emitido após 2011) e verifique a validade. Depois, defina a época que faz mais sentido para o seu interesse — sakura na primavera ou momiji no outono — e reserve hospedagem com no mínimo 3 meses de antecedência.

Para aprofundar cada etapa, leia nossos artigos específicos: roteiro de 1 dia em Tóquio, roteiro de 1 dia em Quioto, como se locomover no Japão, Japan Rail Pass — vale a pena? e quanto custa viajar para o Japão.

Itte irasshai — boa viagem.

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